100 dias no Canadá

ELISABRENNERCanadá, Sobre mimLeave a Comment

Hoje eu comemoro 100 dias que estou no Canadá. Saímos de Goiânia numa sexta feira, dia 28 de agosto, com quatro malas grandes e muitos sonhos para serem realizados. Quando chegamos aqui no Canadá, ficamos alguns dias em Toronto, para visitar alguns amigos, e quando finalmente viemos para Edmonton, fui supreendida com esse coração de boas-vindas

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Está escrito “welcome home, my love”

Não demoramos muito para nos ajeitar aqui. Não foi fácil, tivemos muito trabalho, mas valeu a pena. E hoje, completamos 100 dias de Canadá, por isso farei uma breve retrospectiva do que eu aprendi e do que mudou, desde que decidimos viver num país aonde qualquer coisa acima de -10 é um bom negócio.

  • Outono

Como chegamos no final do verão, eu pude acompanhar a mudança gradual das estações, vi o outono chegar e ir embora. Acompanhei a mudança rápida da coloração das folhas e também vi os fortes ventos as derrubarem.

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Acompanhei as temperaturas caírem, vi a neve chegar. Todas essas mudanças nas estações são maravilhosas, e todo dia se vê algo diferente e se descobre algo novo.

  • Reciclei o meu guarda-roupa

Mudar não é fácil, mudar de país então nem se fala. Ainda mais quando se sai de um lugar onde é verão o ano todo e vem para um lugar onde o inverno chega a durar 6 meses.

Eu não tinha roupas adequadas para o clima do Canadá, e como meu espaço na mala era muito limitado (tente colocar 23 anos de vida em duas malas de 32kg), eu deixei muita coisa para trás. Claro que elas estão super bem guardadas na casa da minha mãe, mas elas ficaram para trás (tenho notícias que a minha irmã tem adorado usar as minhas coisas).

Conviver com poucas roupas e quase nada de sapatos (eu cheguei a usar a mesma bota por quase 3 meses, por um simples motivo, eu não tinha outra!!) faz uma pessoa dar muito valor nas coisas que ela tem. Não me entendam mal, eu tinha muita coisa e eu dava valor nelas… Mas como tudo era em excesso, uma blusa é apenas uma blusa.

 Agora, com um guarda-roupa super restrito, eu dou muito valor em cada peça. Por mais que o acesso à roupas, marcas e tudo mais, no Canadá é bem mais fácil do que no Brasil, não dá para construir um guarda-roupas grande em tão pouco tempo. 

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Estou amando usar acessórios de inverno

  • Resistência ao frio

Me tornei mais resistente ao frio, na verdade eu aprendi a resistir ao frio. Aprendi a me vestir adequadamente (usar as camadas certas para enfrentar o vento e as temperaturas negativas). Claro que o inverno está só começando, e eu ainda verei temperaturas bem mais hostis, mas essa adaptação vem com o tempo.

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E pra quem saiu do centro-oeste do Brasil, aonde 17ºC em junho é motivo para usar cachecol e bota de couro, eu acho que eu estou muito bem hehe.

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Café sempre ajuda a espantar o frio

  • Aprimorei o meu inglês

Eu fiz alguns cursos de inglês, há um tempo atrás, mas não existe nada que ajude mais a melhorar o inglês, do que morar em um lugar que só se fala inglês. No começo eu estava meio receosa, preocupada, tinha muita vergonha de falar e eu sempre travava no meio de uma frase.

A solução foi estudar a língua, e claro conviver diariamente com pessoas que falam inglês. A melhora é gradual, e eu ainda tenho que melhorar muito. Eu ainda tenho sotaque e ainda cometo muitos erros. Mas o principal eu já conquistei. Eu consigo falar e conversar sem medo e sem auto-julgamento.

Falar ao telefone ainda é a pior parte, eu sempre detestei ligações telefônicas, falar em inglês então… Eu acho terrível, mas sempre que eu tenho a necessidade, eu respiro fundo e pronto.

  •  Vida à dois

Eu estou com o Bruno há quase 2 anos, mas nós sempre vivemos cada um na sua casa, e a minha casa, no caso, era a casa da minha mãe.

Aqui estamos vivendo juntos, dormindo na mesma cama e fazendo tudo juntos. E tem sido maravilhoso. Essa vida de casado é muito boa. Poder fazer tudo com ele é muito bom.

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Nós sempre fomos muito caseiros, já até nos chamaram de “casal quarta-feira” (o que eu não achei uma ofensa, qual problema com as quartas-feiras?), morando juntos então, nos tornamos mais caseiros ainda. Claro que saímos de vez em quando, mas ficar em casa, curtindo um ao outro, curtindo o nosso apartamento, se tornou o nosso programa favorito.

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  • Aprimorei meus dotes culinários

Eu me tornei, literalmente, dona de casa. Tenho uma casa para cuidar e um marido para alimentar. Eu não sabia cozinhar, até o ano passado, quando fiz algumas aulas de culinária. Hoje, posso dizer que eu arraso na cozinha (e se alguém discordar vai apanhar!) Já até fiz o Bruno perder uns bons quilos – porque aqui em casa só entra comida saudável, funcional, nutritiva e com pouco sal.

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Pão de banana

Todo fim de semana é uma aventura diferente na cozinha, novos pratos, novos ingredientes, novos temperos… Estou adorando isso.

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Macarrão com frutos do mar

  • Ser turista na própria cidade

Tudo aqui é novidade para mim, eu não conheço quase nada. É muito bom poder ter todo o tempo necessário para explorar cada cantinho dessa cidade. Edmonton é uma cidade incrível, cheia de lugares legais, parques, museus e festivais.

Ser turista morando aqui é maravilhoso.

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City Hall de Edmonton

  • Viver uma experiência canadense

Praticar novos costumes, conhecer novas pessoas, respirar um ar diferente e poder fazer tudo isso num país como o Canadá, é muito bom.

O choque cultural que eu tenho vivido com certeza já me transformou como ser humano, aprendi a ter mais paciência, a pensar mais antes de falar, a ser mais humilde, a respeitar as leis e tradições. Não sou a mesma pessoa que eu era há pouco mais de 3 meses atrás.

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O estilo de festa e de eventos daqui é muito diferente. Bem mais tranquilo e organizado.

Principalmente nessa época, final de ano e Natal. É muito diferente do Brasil. O espírito natalino por aqui, ultrapassa o consumismo, mesmo com Black Friday e diversas promoções de inverno.

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  • Saudade de casa

Eu também sinto saudades de casa, saudade da comida caseira, saudades da minha mãe, irmã e avó. Sinto saudades dos almoços de domingo e sinto muita saudade do meu cachorro.

Sinto falta do calor, do sol quente, da rotina que eu tive, sinto falta da família, dos meus amigos. Mas eu sei que fui eu quem escolhi ir embora. Eu tomei a decisão de sair de casa, para ir morar longe.

Graças à tecnologia, o FaceTime, Skype, WhatsApp e diversos outros aplicativos é muito fácil superar essa saudade. Mas eu não estou sozinha, eu e o Bruno construímos a nossa casa aqui, e com isso, temos vivido todos os dias a frase “home is where your heart is”. 

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